Se você pudesse ver os bastidores de um post que atingiu mais de 1 milhão de pessoas no Instagram, o que você procuraria?
A maioria das pessoas olharia para o design, para o algoritmo, para algum “hack” secreto. Mas o que realmente fez a diferença num carrossel sobre a Marisa Maiô não foi nada disso — foi uma decisão editorial que quase ninguém tomou.
Vou abrir o jogo sobre o que funcionou, o que eu pensei antes de postar e por que a criatividade humana ainda dá de 10 a 0 em qualquer inteligência artificial.
Os números que chamam atenção
Mais de 5 milhões de visualizações no Instagram nos últimos 30 dias. E um único post foi responsável por cerca de 1,5 milhão de visualizações, mais de 1,1 milhão de pessoas alcançadas.
O carrossel sobre a Marisa Maiô.
Na data da análise, esse post tinha acumulado mais de 16.000 compartilhamentos. Pra colocar em perspectiva: 80% das pessoas no Instagram não têm 16.000 seguidores. E o perfil que publicou tinha aproximadamente 45-50 mil seguidores na época.
A maior faixa de audiência veio do público de 25 a 44 anos — exatamente o público-alvo. Curiosamente, 60% mulheres e 40% homens, quando o perfil normalmente atrai 70% homens.
Por que compartilhamentos são a métrica que importa
Se você acompanha meu trabalho, já me ouviu falar sobre o poder dos compartilhamentos. Essa é, na minha opinião, a métrica principal para aumentar o alcance das suas postagens.
Se não tem pessoas compartilhando seus posts:
- Dificilmente você vai furar sua bolha
- Dificilmente vai alcançar mais pessoas além dos seus seguidores
- Dificilmente vai atingir todos os seus seguidores
O compartilhamento é o sinal mais forte que você pode enviar pro algoritmo. É como dizer: “Esse conteúdo é tão bom que eu quero que outras pessoas vejam”. E 16.000 pessoas disseram exatamente isso.
Quem é Marisa Maiô (e por que viralizou)
A Marisa Maiô foi uma personagem criada através de inteligência artificial pelo Raoni — um criador de conteúdo criativo e inteligente que usou a tecnologia VO3 do Google (recém-lançada na época) para criar vídeos de um programa de televisão fictício.
O programa simulava um programa de auditório à moda brasileira, com uma apresentadora de maiô que fazia coisas impensáveis: sorteios absurdos, quadros irônicos, sarcasmo puro. Puro suco de Brasil.
O primeiro vídeo saiu em 3 de junho. Em poucos dias, a coisa explodiu. Marcas como a Magazine Luiza já estavam fazendo propaganda com a personagem. A mídia estava cobrindo. O assunto estava em todos os lugares.
A decisão editorial que fez a diferença
Aqui é onde a maioria das pessoas erra.
Quando eu vi a Marisa Maiô bombando, meu primeiro instinto poderia ter sido o mesmo de todo mundo: enaltecer a inteligência artificial. Afinal, era impressionante. O fato de conseguir manter mais ou menos a mesma personagem, o mesmo padrão visual, o mesmo auditório nas criações — era chamativo demais.
Mas eu percebi uma coisa: todo mundo ia fazer isso.
Eu parei e pensei: “Cara, eu quero trazer um ângulo diferente. Eu quero enaltecer o criador, não a ferramenta.”
Porque se você pede pra uma inteligência artificial criar uma apresentadora, ela não vai chegar nesse ponto. Dificilmente uma IA vai te propor uma Marisa Maiô. Pra isso, você precisa de bagagem cultural. Precisa ter visto a mãe, a avó, os familiares assistindo programas de TV ao longo da vida — Ana Maria Braga, Casos de Família e coisas do gênero.
A Marisa Maiô é uma mistura de referências culturais brasileiras que nenhuma IA proporia sozinha. É a vitória da inteligência humana, não da inteligência artificial.
Esse foi o ângulo que eu escolhi. E foi o ângulo que explodiu.
O timing perfeito (e como identificar)
Publiquei o carrossel no dia 12 de junho — nove dias depois do primeiro vídeo da Marisa Maiô.
Por que esse timing funcionou:
- A trend ainda estava em formação (não no pico nem na queda)
- Marcas já tinham entrado, o que sinalizava que ia gerar mais mídia
- As pessoas ainda estavam discutindo, então havia apetite por novos ângulos
Se eu tivesse postado no dia 3, ninguém saberia do que eu estava falando. Se eu tivesse postado no dia 30, ninguém mais se importaria. O timing não é postar primeiro — é postar quando a audiência está pronta pra consumir mais.
As imagens que agregaram valor
Outro acerto foi usar IA para criar imagens originais da Marisa Maiô.
Peguei referências visuais da personagem, tirei prints dos vídeos do Raoni e joguei numa inteligência artificial com descrições específicas. O resultado: retratos da Marisa Maiô com fundo azul, em diferentes expressões — bem-humorada, sarcástica, apontando pra câmera, se maquiando.
As caras não são 100% idênticas entre si (ainda tem essa limitação da IA), mas uma senhora de meia-idade com aquele corte de cabelo, vestindo maiô preto, maquiada… é a Marisa Maiô. As pessoas reconhecem.
Isso fez com que o carrossel não fosse apenas mais um “react” ao assunto. Ele agregou visualmente. Criou algo novo a partir da trend em vez de simplesmente comentá-la.
A estrutura do carrossel que gera compartilhamentos
Vou destrinchar os elementos que fizeram esse carrossel funcionar:
1. Gancho no assunto do momento — A Marisa Maiô já estava no radar de milhões de pessoas. Usar o nome e a imagem como gancho garantiu o clique.
2. Ângulo contrário ao óbvio — Enquanto todo mundo enaltecia a IA, eu enalteci o criador humano. Isso gera curiosidade e debate.
3. Visuais originais — As imagens criadas com IA não eram screenshots ou reposts. Eram criações novas que agregavam ao conteúdo.
4. Storytelling com propósito — Cada slide contava uma parte da história, levando a uma conclusão clara e forte.
5. CTA de fechamento poderoso — O último slide trazia: “Compartilhe se você concorda que a criatividade humana ainda é imbatível.” Usar o “ainda” gerou uma discussão extra nos comentários. As pessoas debatiam se a IA vai ou não superar a criatividade humana — e isso alimentava o engajamento.
A lição que vale mais que o case
Modéstia à parte, eu acredito que consegui agregar àquela trend. O principal é o Raoni — ele é o talento da questão. Mas com uma boa copy, um storytelling bem construído, um design bacana e imagens originais, dá pra contribuir com algo que vai além do “react”.
E esse é o ponto: trends não são para reagir, são para contribuir.
Se você vai entrar numa trend, entre com algo que não existia antes de você chegar. Traga um ângulo que ninguém trouxe. Use suas habilidades pra criar algo novo a partir do que já existe.
A IA é uma ferramenta poderosa. Mas quem decide o ângulo, quem identifica o timing, quem escolhe a narrativa — isso ainda é 100% humano.
E, pelo visto, 16.000 pessoas concordaram.
Perguntas frequentes
Quantos compartilhamentos o carrossel da Marisa Maiô teve?
O carrossel teve mais de 16.000 compartilhamentos, atingindo mais de 1 milhão de pessoas alcançadas e 1,5 milhão de visualizações em um perfil de aproximadamente 45-50 mil seguidores.
O que é mais importante para viralizar no Instagram: curtidas ou compartilhamentos?
Compartilhamentos são a métrica principal para aumentar o alcance. Se ninguém compartilha seus posts, dificilmente você vai furar a bolha dos seus seguidores atuais. É o sinal mais forte que o algoritmo recebe para distribuir seu conteúdo.
Qual foi o timing ideal para postar sobre a Marisa Maiô?
O primeiro vídeo da Marisa Maiô saiu em 3 de junho. O carrossel foi publicado em 12 de junho, quando a trend ainda estava em formação — marcas como Magazine Luiza já tinham entrado, mas o pico ainda não tinha passado.
Preciso usar inteligência artificial para criar carrosséis virais?
IA é uma ferramenta poderosa para criar visuais impactantes, mas o diferencial real é a inteligência humana: a capacidade de identificar um ângulo original, contar uma história e conectar referências culturais que nenhuma IA proporia sozinha.
Como identificar o momento certo de entrar numa trend?
Observe se a tendência ainda está em formação: marcas entrando, mídia cobrindo, pessoas discutindo. Se o pico ainda não passou e você tem um ângulo original para contribuir, é hora de postar. Não espere a trend esfriar.
Qual ângulo usar quando todo mundo já está falando sobre o mesmo assunto?
Traga uma perspectiva que ninguém trouxe. No caso da Marisa Maiô, enquanto todo mundo enaltecia a IA, o ângulo vencedor foi enaltecer a criatividade humana do criador. Isso gerou identificação e debate — combustível para compartilhamentos.
Como usar imagens geradas por IA em carrosséis de forma estratégica?
Pegue referências visuais do tema, descreva o que você quer e crie variações que agreguem ao conteúdo. No caso, foram criados retratos originais da personagem em diferentes poses e expressões, o que deu personalidade ao carrossel e o diferenciou dos demais.
