Qual dessas duas versões converteu mais?
Versão A: “Crie carrosséis engajados no Instagram em 5 minutos. Maximize seu impacto com o app Post Sucesso.”
Versão B: “Como criar um mês de conteúdos engajados no Instagram em poucas horas, sem usar templates, sem abrir mão da qualidade, sem gastar com equipe, agência ou cursos.”
Se você apostou na versão B, acertou. E a diferença entre as duas me rendeu o dobro de receita — sem mudar o produto, sem mudar o tráfego, sem mudar o preço. Só mudando a copy.
A mudança principal? Eu tirei uma palavra. E nesse artigo vou te mostrar exatamente o que aconteceu, por que funcionou e como aplicar a mesma técnica no seu negócio.
O teste A/B que mudou tudo
Eu estava rodando tráfego pago para captar leads pro meu aplicativo Post Sucesso. O cenário inicial:
- Investimento: R$1.000 por semana
- Custo por lead: ~R$5
- Leads por semana: ~200
- Ticket: R$997
- Taxa de conversão (lead para cliente): ~1%
- Receita semanal: ~R$2.000 (2 vendas)
Funcionava. Mas eu não estava satisfeito. Então testei uma nova copy.
A versão B manteve a mesma taxa de conversão — 1% na média. O ticket continuou igual. Mas o custo por lead caiu pela metade.
Resultado prático:
- CPL: ~R$2,50 (antes era R$5)
- Leads por semana: ~400 (o dobro)
- Receita semanal: ~R$4.000 (o dobro)
Extrapolando pra um ano inteiro: mais de R$100.000 em receita adicional — só por conta de uma mudança na copy.
A mudança principal? Eu tirei a palavra “app”.
Por que tirar uma palavra aumenta a conversão
Parece contraintuitivo. Você trabalha no produto, melhora a entrega, investe em tráfego — e aí descobre que o gargalo era uma palavra na copy.
Mas faz total sentido quando você entende o mecanismo.
Quando eu escrevia “app” na copy, estava entregando a solução antes da pessoa sequer se interessar. O lead batia o olho e já sabia o que era: um aplicativo. Pronto. Sem mistério, sem curiosidade.
Isso não é necessariamente ruim. Falar “app” atraía quem já estava consciente de que queria uma solução em formato de aplicativo. Só que essa é uma parcela pequena do mercado. A maioria tem o problema — criar conteúdo pro Instagram de forma rápida — mas não sabe qual tipo de solução quer. E quando você entrega a resposta de bandeja, você mata a curiosidade. E com ela, o clique.
O gatilho mental da curiosidade por exclusão
A versão B faz algo completamente diferente. Em vez de dizer o que a solução é, ela diz o que a solução não é.
“Posts em instantes — como criar um mês de conteúdos engajados no Instagram em poucas horas, sem usar templates, sem abrir mão da qualidade, sem gastar com equipe, agência ou cursos.“
Cada “sem” é uma porta que fecha. E cada porta fechada aumenta a curiosidade: “Se não é template, não é agência, não é curso… então o que é?”
Isso é o que eu chamo de curiosidade por exclusão. Você instala a curiosidade na mente do lead não revelando o mecanismo, mas dizendo tudo aquilo que ele não é.
E tem um efeito colateral poderoso: ao mesmo tempo que gera curiosidade, você quebra objeções. Quando eu digo “sem gastar com equipe”, estou atacando diretamente a resistência de quem pensa “ah, mas isso deve dar trabalho” ou “deve precisar de um designer”.
Dois resultados com uma cajadada só: mais curiosidade somada a menos objeções equivale a mais conversão.
A anatomia de uma promessa com exclusão
Uma boa promessa com curiosidade por exclusão tem três elementos.
1. Benefício claro e desejado
“Como criar um mês de conteúdos engajados no Instagram em poucas horas.”
Aqui está o que a pessoa quer. Sem rodeios, sem ser genérico. Quanto mais específico e mensurável, melhor — “um mês de conteúdo” é mais concreto que “conteúdo de qualidade”.
2. Veículo misterioso
Na versão A, o veículo era “o app Post Sucesso” — entregue de mão beijada. Na versão B, o veículo é implícito. A pessoa sabe que existe uma forma de conseguir aquilo, mas não sabe qual é. Isso cria uma lacuna cognitiva que o cérebro quer fechar.
O mecanismo, o agente de mudança, a solução — ela precisa ter um quê de mistério pra que a curiosidade se instale.
3. Lista de exclusões (o que NÃO é)
- Sem usar templates
- Sem abrir mão da qualidade
- Sem gastar com equipe, agência ou cursos
Cada item na lista faz duas coisas ao mesmo tempo: gera curiosidade eliminando uma possibilidade, e quebra objeções atacando os medos e resistências do público. Quanto mais itens você elimina, mais a pessoa pensa: “Tá, mas então o que é?”
Aplicando em outros mercados
Essa técnica não se limita a produtos digitais. Funciona em qualquer mercado.
Mercado de dinheiro:
Antes: “Como adicionar seis dígitos à sua agência de web design copiando meu método secreto para ajudar negócios locais a conseguir mais avaliações reais de cinco estrelas.”
Aqui o cara já sabe: o método é sobre avaliações. Curiosidade zero.
Depois: “Como adicionei seis dígitos à minha agência adicionando um serviço fácil de oferecer. Não requer ligações frias, não requer gastar muito tempo ou dinheiro, não requer recursos extras. Não é anúncio de Facebook, email marketing, funil, mídias sociais, design gráfico, fotografia ou vídeo.”
Qual serviço fácil de oferecer? Não é nada disso tudo… então o que é? A curiosidade dispara.
Mercado de relacionamento:
Antes: “Como conquistar qualquer mulher em 30 dias usando meu método comprovado de comunicação e linguagem corporal.”
Depois: “Como conseguir três encontros por semana usando esta técnica única de conversa. Não requer ser bonito, rico, famoso, ter carro importado, morar sozinho ou ser extrovertido. Não é sobre aparência física, academia, roupas caras, perfumes importados, redes sociais ou aplicativos de encontro.”
A segunda versão envolve muito mais gente. O cara que não é bonito se identifica. O que não é rico se identifica. O introvertido se identifica. Ao excluir, você inclui.
Mercado de saúde:
Antes: “Como perder 15 kg em 90 dias com meu protocolo nutricional e de exercícios.”
Depois: “Como eliminei 18 kg em 12 semanas fazendo uma única mudança simples. Não é academia, dieta da moda, contar calorias, cortar carbo, jejum intermitente. Não é suplemento, shake proteico ou gastar uma fortuna.”
A pessoa que já tentou tudo isso e não conseguiu resultado pensa: “Se é algo diferente de tudo que eu já fiz, preciso saber o que é.” É a curiosidade trabalhando a seu favor.
Por que isso funciona tão bem com públicos céticos
Essa técnica é especialmente poderosa com públicos que já foram estimulados muitas vezes pelo mercado.
Pense no cara que quer emagrecer. Ele já passou por nutricionista, já tentou low carb, já fez jejum, já comprou suplemento, já contratou personal. Ele é cético. A promessa tradicional — “perca peso com meu método” — não cola mais.
Mas quando você lista tudo isso e diz “não é nada disso”, você cria uma brecha. O cara pensa: “Bom, se não é nada do que eu já tentei, pode ser que funcione desta vez.” Você envolve um grupo muito maior de pessoas — inclusive os céticos que já foram expostos a dezenas de ofertas similares.
Onde aplicar na prática
O gatilho mental da curiosidade por exclusão funciona em praticamente qualquer ponto de contato com o público:
- Páginas de captura: como no meu teste A/B
- Headlines de anúncios: pra baixar o CPL
- Carrosséis no Instagram: na capa e nos primeiros slides
- Linhas de assunto de email: pra aumentar a taxa de abertura
- Títulos de vídeo e thumbnails: pra gerar clique
- Webinars e lives: na promessa de abertura
A regra é simples: toda vez que você for descrever o que sua solução é, pare e pense se seria mais poderoso descrever o que ela não é.
O que fazer agora
Pega a sua copy principal — a que está na sua página de captura, no seu anúncio, no seu carrossel — e aplica esse exercício:
- Identifique o veículo da sua oferta (app, curso, método, protocolo, ferramenta)
- Remova a menção explícita a ele
- Liste de 3 a 6 coisas que a sua solução NÃO é — foque nas alternativas mais comuns do mercado, especialmente as que já decepcionaram seu público
- Monte a nova promessa com a estrutura: benefício desejado + veículo misterioso + exclusões
- Teste as duas versões lado a lado
Não precisa ser perfeita. No meu caso, a versão B não era uma obra de arte de copywriting — mas ela respeitava o princípio da curiosidade por exclusão, e isso bastou pra dobrar o resultado.
A diferença entre uma copy que vende e uma que vende o dobro pode ser, literalmente, uma palavra a menos.
Perguntas frequentes
O que é curiosidade por exclusão?
É uma técnica de copywriting que instala curiosidade na mente do lead não revelando o mecanismo da sua solução, mas dizendo tudo aquilo que ela não é. Cada exclusão fecha uma porta e aumenta a tensão cognitiva: “se não é isso, se não é isso… então o que é?”
Por que tirar uma palavra da copy pode dobrar a receita?
Quando você nomeia explicitamente o veículo da sua solução (app, curso, método), você entrega a resposta antes do lead se interessar. Isso mata a curiosidade e filtra só quem já estava inclinado àquele formato. Retirar o nome e usar exclusões abre a oferta pra um mercado muito maior.
Curiosidade por exclusão funciona em qualquer nicho?
Funciona em qualquer mercado onde o público tem uma dor clara e já foi exposto a múltiplas soluções antes. Quanto mais cético o público — quanto mais ele já tentou e falhou com outras abordagens — mais poderosa fica a técnica, porque você está explicitamente dizendo que não é nada que ele já tentou.
Quantas exclusões devo usar na copy?
De três a seis exclusões é o ponto ideal. Menos que isso e a curiosidade não se instala com força suficiente. Mais que isso e a lista começa a parecer artificial. Foque nas alternativas mais comuns do mercado, especialmente as que já decepcionaram seu público.
Onde posso aplicar essa técnica além de páginas de captura?
Em praticamente qualquer ponto de contato: headlines de anúncios (pra baixar o CPL), capas de carrossel no Instagram, linhas de assunto de email (pra aumentar abertura), títulos de vídeo e thumbnails, e na promessa de abertura de webinars e lives.
Como montar a estrutura de uma promessa com curiosidade por exclusão?
Três elementos: benefício claro e específico (o que a pessoa quer, em termos mensuráveis), veículo misterioso (a solução existe mas não é nomeada), e lista de exclusões (o que ela definitivamente não é). A combinação gera curiosidade e quebra objeções ao mesmo tempo.
Posso usar essa técnica mesmo tendo um produto já conhecido no mercado?
Sim. Você reescreve a promessa tirando o nome do produto e focando no resultado mais o que não é necessário pra consegui-lo. Mesmo quem já conhece o produto pode ser re-engajado por uma copy que ressalta o que ele não precisa fazer ou sacrificar.
