Se você tem preguiça de escrever emails, esse artigo é para você.
Vou te mostrar exatamente como eu faço para escrever emails rápidos que vendem, que engajam minha audiência e me permitem estar conversando com minha lista todos os dias — sem gastar horas nisso.
Esse método é fundamental para quem tem pouca equipe ou atende muitos clientes ao mesmo tempo.
Tudo começa com um vídeo
A matéria-prima do email não nasce do zero. Ela vem de algo que você já criou.
No meu caso, a fonte é um vídeo no YouTube. Mas pode ser qualquer conteúdo longo — um podcast, uma live, um áudio de WhatsApp. O ponto é ter material bruto que já carregue as suas ideias e a sua voz.
Pego um vídeo que performou bem (ou que faz sentido levar para a minha lista de emails) e começo o processo. No geral, todos os vídeos que eu faço funcionam como email. O contrário nem sempre é verdade — transformar email em vídeo nem sempre dá certo, mas transformar vídeo em email funciona muito bem.
Passo 1: baixe a transcrição
O primeiro passo é baixar a transcrição do vídeo.
Eu uso uma extensão chamada YouTube Subtitle Download, que gera um arquivo .txt na língua que eu quiser. Mas se você não quiser instalar nada, basta abrir o vídeo no YouTube, clicar em “mostrar transcrição”, selecionar tudo e copiar.
Pronto. Você tem o material bruto.
Passo 2: formate antes de transformar
Aqui é onde a mágica acontece — e onde a maioria erra.
Não peça para a IA escrever o email direto. Faça em duas etapas.
Na primeira, eu subo a transcrição na IA e peço o seguinte:
“Anexei a transcrição de um dos meus vídeos. Leia o conteúdo integralmente. Depois formate o texto de modo que fique fácil e agradável de ler. Não quero que você adicione nem remova nada — apenas pontue, quebre parágrafos, facilite a leitura. Você tem permissão para incluir subtítulos para dividir as seções. Pense nos subtítulos como meios de fisgar o leitor que primeiro escaneia o texto antes de ler palavra por palavra.”
A IA pega aquele bloco de texto corrido e transforma em algo legível. Subtítulos, parágrafos, pontuação. Sem inventar nada — só organizando o que já existe.
O resultado já daria para ser publicado como artigo de blog. Mas a gente quer um email.
Passo 3: transforme em email
Na segunda etapa, eu pego esse texto formatado e peço a transformação:
“Quero transformar esse texto em um email. Quero manter o tom e o estilo, mas enxugar o texto de modo a tirar as redundâncias e facilitar a leitura com parágrafos de no máximo três linhas no mobile. Frases curtas. Cuidado para não remover coisas demais — inclua tudo que for necessário para manter a essência da mensagem. Se precisar dividir a resposta em duas ou mais partes, tudo bem.”
Esse último trecho é importante: “se precisar dividir a resposta em duas ou mais partes, tudo bem”. Às vezes a IA economiza na resposta. Quando o servidor está sobrecarregado, ela encurta o texto para poupar recursos. Pedindo para dividir em partes, você garante que ela não corta o que importa.
O foco aqui é tirar os vícios de linguagem — aquelas repetições que passam na fala mas ficam estranhas no texto. Quando você explica algo no improviso, repete palavras, retoma ideias, faz voltas. No texto, isso pesa. A IA limpa tudo isso mantendo a essência.
O CTA que não espanta
O email tá pronto. 80 a 90% é conteúdo puro. Os últimos 10 a 20% são um gancho para a sua proposta de vendas.
No meu caso, eu subo um PDF da minha página de vendas e peço:
“Quero que você adicione um PS com o CTA para minha página de vendas. Vou anexar a página em PDF para você ter o contexto. O CTA não deve ser apressado ou brusco. Faça um gancho com o conteúdo do email, com calma.”
Na prática, a primeira versão do CTA quase sempre sai genérica demais. Aí eu refino:
“Reescreva apenas o PS. Não quero nada agressivo, mas sinto que podemos ser mais persuasivos.”
E se ficar curto demais:
“Eu gostei, mas quero que você desenvolva um pouco mais. Busque mais parágrafos. Explore pontos anteriores do conteúdo principal para fazer o gancho. Vá com calma, desenvolva sem pressa para que o clique se torne irresistível e natural.”
A cada iteração, o CTA vai ficando mais integrado ao conteúdo. Não parece uma propaganda colada no final — parece uma continuação natural da conversa.
O atalho: um agente treinado com seu estilo
Quer ir além? Treine um GPT personalizado com seus emails anteriores.
Eu tenho um agente chamado “Redator de Emails do Will” no ChatGPT. Ele foi alimentado com dezenas dos meus emails reais e aprendeu meu tom, minhas quebras de parágrafo, meu jeito de fazer transições.
Quando uso esse agente, o resultado é visivelmente melhor. Em vez de escrever “o TikTok virou uma rede de interesses, não uma rede social”, ele escreve: “o feed deixou de ser sobre quem você segue e virou o que você quer ver — mesmo que você nem saiba direito o que quer”. Mesma ideia, mas com o meu jeito de falar.
A diferença entre a versão genérica e a versão treinada é gritante. Uma soa como IA. A outra soa como você.
Por que duas etapas e não uma?
Porque a IA trabalha melhor quando você separa formatação de transformação.
Se você joga a transcrição crua e pede o email direto, ela vai cortar demais, inventar coisas ou perder a sua voz. Quando você primeiro formata (sem adicionar nem remover nada) e depois transforma, ela tem um material limpo para trabalhar. O resultado é mais fiel ao que você realmente disse.
Pense assim: a primeira etapa é arrumar a mesa. A segunda é cozinhar. Se você tenta cozinhar na bagunça, o prato sai ruim.
Na prática: menos de 5 minutos
O processo inteiro leva menos de 5 minutos:
- 30 segundos para baixar a transcrição
- 30 segundos para o primeiro prompt (formatar)
- 30 segundos para o segundo prompt (transformar em email)
- 1 a 2 minutos para refinar o CTA
- 1 minuto para ajustes finais e enviar
Se você produz vídeos, podcasts ou qualquer conteúdo longo, você já tem matéria-prima de sobra. O gargalo nunca foi falta de ideia — era o atrito de sentar e escrever. Esse processo elimina o atrito.
E o melhor: como a base é a sua própria fala, o email sai com a sua voz real. Não parece template. Não parece IA. Parece você conversando com a sua lista.
Perguntas frequentes
Preciso ter um canal no YouTube para usar esse método?
Não. Qualquer conteúdo longo serve como matéria-prima — pode ser uma live, um podcast, um áudio de WhatsApp ou até uma conversa gravada. O ponto é ter material bruto que já carregue a sua voz e as suas ideias.
Qual IA funciona melhor para escrever emails?
Depende do momento. O ChatGPT e o Claude alternam em qualidade. O mais importante é o processo em duas etapas — primeiro formatar, depois transformar — que funciona em qualquer ferramenta.
E se o email ficar com cara de IA?
O segredo é usar a transcrição da sua própria fala como base. A IA reorganiza, mas a voz é sua. Se quiser ir além, treine um agente GPT com seus emails anteriores para capturar seu estilo.
Posso usar a transcrição de vídeos de outras pessoas?
Pode, mas aí você precisa reescrever com a sua perspectiva. O método funciona melhor quando a matéria-prima já é sua, porque mantém autenticidade sem esforço extra.
Quanto tempo leva o processo completo?
Depois de pegar o jeito, menos de 5 minutos. Baixar a transcrição leva segundos, o primeiro prompt formata em 30 segundos e o segundo transforma em email em mais 30. O maior tempo vai nos ajustes finais — que são opcionais.
Esse método funciona para quem tem lista pequena?
Funciona ainda melhor. Quem tem lista pequena precisa ser consistente, e a maior barreira é justamente o tempo e a energia para escrever. Com esse processo, você remove o atrito e consegue enviar emails todos os dias.
Dá para usar isso para outros formatos além de email?
Com certeza. O mesmo fluxo serve para posts de blog, threads em redes sociais, scripts de stories e até newsletters. A lógica é a mesma: conteúdo bruto entra, conteúdo editado sai.
Como faço para treinar um GPT personalizado com meu estilo?
Reúna de 20 a 50 emails que você já escreveu e que representem bem o seu tom. Suba como base de conhecimento em um GPT personalizado no ChatGPT e peça para ele aprender seu estilo. Quanto mais exemplos, melhor o resultado.
