Mentoria: 2 sinais pra não cair em papo furado antes de pagar

Depois de cair uma vez e ver gente caindo ao redor, aprendi a separar mentor de verdade de quem só quer seu dinheiro

Mentoria boa é rara. A maioria do que é vendido como mentoria online é, na prática, um método rígido empurrado pra todo mundo que paga, sem qualquer personalização pra quem você é.

Eu caí nessa roubada duas vezes. A primeira foi há uns 10 anos, numa imersão que prometia olhar personalizado e entregou conteúdo genérico. A segunda foi mais recente, já cascudo, achando que dessa vez era diferente. Não era. E quando o boom das mentorias veio em 2022 e 2023, eu já sabia reconhecer o padrão antes de abrir a carteira.

Neste artigo você vai aprender os 2 filtros práticos que uso pra avaliar qualquer mentoria antes de contratar, e por que profissionais de formação tradicional são os alvos favoritos de mentores charlatões.

Eu já fui feito de tonto. E quase todo mundo que eu conheço também.

Tome muito cuidado com as mentorias que são vendidas online.

Falo com autoridade porque eu já fui enganado. Há uns 10 anos, uma personalidade famosa do marketing digital, que ainda estava começando naquela época, fez uma imersão na cidade dele junto com outra figura que hoje também é grande no mercado. Os dois se juntaram e prometeram uma coisa linda: conversa olho no olho, cerveja descontraída, olhar personalizado pro meu negócio.

E eu acreditei. Caramba, a oportunidade de sentar com esses caras e deles se debruçarem em cima do meu caso? Paguei. E caí no papo furado.

Felizmente foi cedo. Quando veio o boom das mentorias em 2022 e 2023, eu já tinha cicatriz, já estava cascudo. Sabia o que era aquele discurso todo sendo reciclado.

O problema é que muita gente ainda cai. Principalmente quem não é nativo do marketing digital.

Os alvos favoritos do mentor charlatão

Quando eu falo “não nativos do marketing digital”, estou pensando nos profissionais de formação tradicional: contadores, advogados, médicos, fisioterapeutas, dentistas, terapeutas, nutricionistas.

Profissionais liberais que passaram a vida inteira no mundo offline. De repente, por qualquer motivo que seja, pandemia, crise no consultório, vontade de escalar, tédio, descobrem que existe isso tal de internet.

Chegam crus. E caem em conto de fadas.

Essas pessoas têm três características que as tornam alvos perfeitos: têm dinheiro (carreiras estabelecidas), são sérias (tendem a confiar em quem parece autoridade) e não têm base de comparação para identificar padrões de charlatanismo no digital. É a combinação ideal pra quem quer vender método sem entregar resultado.

O problema é que autoridade num campo não transfere para outro. Um médico com 20 anos de clínica é autoridade em medicina. Mas em marketing digital ele é iniciante, e não tem como avaliar se quem está na frente dele sabe mesmo do que está falando. Essa assimetria de informação é o que os charlatões exploram.

Eu gravo esse vídeo porque vejo isso acontecendo ainda hoje. E não é só um alerta abstrato. Tem um caso concreto da minha comunidade que me motivou.

O caso do membro da comunidade (e a fisioterapeuta que virou mentora)

Todo membro que entra na minha comunidade conteudo.org ganha uma mentoria individual comigo. Um encontro no Zoom onde eu leio o formulário de onboarding, monto uma página de direção estratégica, e a gente senta pra tirar as dúvidas ao vivo.

Há um tempo, um desses membros, homem de uns 50 anos, formação tradicional, bagagem de vida daquelas, me contou uma história que acendeu todas as luzes vermelhas da minha cabeça.

Eu estava tentando entender por que as coisas não estavam andando como ele queria. Perguntei o que ele já tinha testado. Entrei no Instagram dele pra dar uma olhada: perfil com posts simples, sem distinção, nada muito forte.

Aí ele me contou: tinha contratado uma mentoria antes.

Perguntei quem era a pessoa. Ele me passou o @. Entrei lá pra ver. E já na primeira batida de olho, o padrão apareceu.

A mentora era formada na mesma área dele. Tinha conseguido um certo sucesso como profissional. E agora estava vendendo mentoria pra outros profissionais da mesma área.

Não era fisioterapeuta, vou usar esse exemplo só pra não expor ninguém. Mas imagina uma fisioterapeuta que conseguiu audiência razoável, vendeu bem, ganhou algum destaque. E aí pulou de barco. Parou de atender pacientes e virou mentora de fisioterapeutas.

Ela ensinava outros fisioterapeutas a fazerem marketing no Instagram, criarem conteúdo, venderem como ela.

Isso, por si só, já é um sinal de alerta.

Não significa que toda pessoa que segue esse caminho é charlatã. Não. Cada um sabe o que faz da vida. Mas fique ligado.

Com todo respeito: se ela tinha sucesso como fisioterapeuta, por que parou? Por que deixou de ser fisioterapeuta e passou a ser mentora? As funções são completamente diferentes. Uma lida com corpo, diagnóstico, clínica. A outra lida com marketing, copy, conteúdo, oferta, conversão, audiência.

Ela agora está mais ligada a negócio do que à profissão original dela. E ensina negócio sem nunca ter dedicado a vida a aprender negócio.

O método de lifestyle que não serve pra todo mundo

Continuei a conversa com o membro. Pedi pra ele me mostrar o que essa mentora ensinava. Ele compartilhou a tela, me mostrou o perfil dela, o tipo de post que ela sugeria replicar.

E aí eu percebi a maior incompatibilidade possível entre quem ensinou e quem precisava aplicar.

O método dela era todo baseado em lifestyle. Fotos viajando. Foto de biquíni. Foto na cachoeira. Rosto chamativo. Corpo à mostra. Todo o magnetismo visual que o Instagram recompensa quando você é uma pessoa jovem e bonita seguindo o script.

Sem julgamento de quem faz isso, deixa claro. É uma prática válida pra quem consegue executar.

Agora pensa comigo: um homem de meia idade, fora da melhor forma, profissional sério, vindo de formação tradicional. Como é que ele ia replicar isso? Como é que ele ia aplicar foto de biquíni na cachoeira e esperar o mesmo resultado?

Não tinha como. Qualquer pessoa em sã consciência, batendo o olho, diria isso pra ele.

Mas ele estava lá, tentando seguir um método 100% incompatível com quem ele era. E ninguém nunca teve a coragem, ou o interesse, de parar o processo e dizer.

O problema não é só o desperdício de dinheiro. É o desperdício de tempo, de energia e de confiança na própria capacidade. Alguém que faz tudo errado por meses e não vê resultado começa a achar que o problema é ele, não o método.

O problema central: mentoria de verdade exige personalização

Aqui vai a grande crítica que eu tenho. Você pode concordar ou discordar nos comentários.

Mentoria, na minha opinião, pressupõe personalização. Exige olhar. Exige tete a tete. Exige alguém que para, observa seu caso específico, e diz “olha, o método que eu normalmente ensino é X, mas se eu fosse você, eu não faria X, eu faria Y, porque o Y encaixa melhor no seu perfil, na sua bagagem, no seu ponto de partida”.

O que a maioria das mentorias entrega é o oposto: o mentorado é forçado a se encaixar num método específico. Quadrado. Rígido. Pegar ou largar.

Foi exatamente o que aconteceu com o membro da comunidade. Ele entrou na mentoria, pagou, e o método que passaram foi “faz foto assim, usa essa paleta, edita no Lightroom, posa desse jeito, tem que ter Photoshop”. Pode funcionar. Pode até funcionar pra ele, forçado. Mas o custo de oportunidade é gigante, porque aquilo não é voltado pra ele. Está jogando contra a natureza dele. Está gastando energia e tempo num caminho que não converte.

E a mentora nunca parou pra dizer “olha, se eu fosse você, não faria isso”.

Parte porque talvez ela nunca tenha nem pensado nessa possibilidade. Parte porque, e isso dói falar, ela provavelmente não se importa. Você contratou, essa é a entrega padrão, tá aí, boa sorte.

A segunda história que eu tinha esquecido

Falando com você agora, lembrei de uma segunda vez que eu mesmo caí. Essa foi bem mais recente. Já não era o Will jovem e cru. Era o Will cascudo achando que dessa vez era diferente.

Contratei uma mentoria achando que a pessoa ia parar, olhar meu negócio, fazer perguntas provocativas, me desafiar de verdade.

Foi uma das conversas mais frias e estranhas que eu já tive pagando. A pessoa simplesmente não se importava. A postura era “me pergunte qualquer coisa”.

Eu perguntava, ela respondia, acabou. Não tentava me ajudar a fazer perguntas melhores. Não tinha interesse genuíno em trazer resultado pra mim. Era um balcão de atendimento, não uma mentoria.

O que me incomodou não foi só a frieza. Foi perceber que eu tinha pago por acesso a uma mente que podia me ajudar a enxergar pontos cegos, e o que recebi foi um FAQ humano. Qualquer coisa que eu perguntasse, ela respondia. Mas ela nunca me fez uma pergunta. Nunca me desafiou. Nunca sinalizou que estava pensando no meu caso especificamente.

Eu tinha esquecido completamente dessa história até sentar pra gravar esse vídeo. Tanto é que eu nem guardo rancor desses episódios, absorvo, aprendo, e sigo. Mas fica um padrão claro na cabeça depois que você acumula uma ou duas experiências dessas.

Os 2 sinais práticos pra olhar antes de pagar

Depois de cair duas vezes e ver gente caindo ao meu redor, eu destilei tudo em dois filtros. Dois aspectos que você precisa avaliar antes de assinar qualquer contrato de mentoria.

1. Domínio técnico real

Essa pessoa domina o assunto de verdade, ou tem uma única ferramenta na caixa de ferramentas?

Cuidado com a ultra-especialização disfarçada. Aquele mentor que só sabe ensinar um tipo de conteúdo, um tipo de funil, um tipo de post, um tipo de oferta. Que tem um método só e empurra goela abaixo, independente de quem você é e do que o seu negócio precisa.

Um mentor de verdade tem repertório. Sabe de negócio, não só de uma tática. Consegue olhar pro seu caso e dizer “pra você, nesse momento, com esse perfil, com essa audiência, faz sentido isso aqui, não o que eu normalmente vendo pra todo mundo”.

Se a pessoa só sabe fazer o que deu certo pra ela uma vez, e está tentando replicar isso em todo mundo que paga, você é só mais um corpo no funil dela. Não é uma mentoria, é uma linha de montagem.

2. Postura comportamental

Esse é o filtro humano. Tem a ver com valores, não com currículo.

A pessoa realmente quer te ajudar? Tem genuíno interesse no seu resultado? Ou está ali só cumprindo a entrega contratada pra poder voltar pro Instagram dela?

Não estou falando pra você esperar que o mentor faça o trabalho por você, ficar mamando na teta de ninguém. Não é essa a ideia. Você tem que fazer a parte pesada, pensar, executar, testar, errar, ajustar.

Mas o mentor de verdade provoca. Faz perguntas que você ainda não tinha feito pra si mesmo. Te força a reformular o problema de outro ângulo. Te desafia quando o seu raciocínio está fraco. Se importa com o resultado quase como se fosse dele.

Se você sair da primeira conversa com a sensação de que foi um atendimento burocrático, frio, mecânico, corre. Pede reembolso se conseguir. Não insiste. A dinâmica não vai melhorar, só vai piorar à medida que a novidade passa.

Um desabafo honesto antes de encerrar

Eu sei como esse vídeo soa estranho. Eu vendo mentoria. Tenho comunidade, tenho mentorias individuais, é parte importante do meu negócio.

Então apontar o dedo pros outros e dizer “olha, todos eles fazem errado, sou eu que faço certo” soa mal. Eu sei como soa. É exatamente o tipo de vídeo que pode parecer auto-promoção disfarçada de conselho.

Mas o ponto não é esse. O ponto é: pense muito bem antes de contratar mentoria. Pare de ser feito de idiota. Não importa se vai ser comigo, com outro, com ninguém.

Olhe o domínio técnico real da pessoa. Olhe o comportamento humano dela nas primeiras conversas. Se alguma das duas coisas cheirar mal, não entra.

Sua grana é melhor gastada em outra coisa, até em fazer o básico sozinho, no seu ritmo, do que em pagar alguém que vai te enfiar num método incompatível com quem você é e depois sumir quando você reclamar.

É isso. Desabafo feito. Espero que você não caia em roubadas como aquelas que eu caí.

Perguntas frequentes

Como saber se uma mentoria é boa antes de contratar?
Avalie dois aspectos: domínio técnico real (a pessoa tem repertório amplo ou só sabe o que deu certo pra ela uma vez?) e postura comportamental (demonstra interesse genuíno no seu caso ou está apenas cumprindo entrega?). Se qualquer um dos dois cheirar mal, não entra.

Quais são os sinais de alerta de uma mentoria ruim?
Método único aplicado pra todo mundo sem personalização, mentor que parou de praticar a profissão original pra virar mentor, primeira conversa fria e mecânica sem interesse genuíno, e método incompatível com o seu perfil que ninguém aponta.

Mentoria online vale a pena?
Depende de quem você contrata. Mentoria de verdade pressupõe personalização: olhar para o seu caso específico e adaptar o método ao seu perfil, bagagem e ponto de partida. Se a pessoa empurra o mesmo método pra todo mundo, não é mentoria, é uma linha de montagem.

Por que tantos profissionais de saúde caem em mentorias ruins de marketing digital?
Porque chegam crus ao mundo digital, sem referências pra avaliar credibilidade. Médicos, fisioterapeutas, dentistas e terapeutas são alvos favoritos porque têm dinheiro, são sérios e não têm base pra identificar padrões de charlatanismo.

O que é domínio técnico real em um mentor?
É ter repertório amplo sobre negócio, não só dominar uma tática específica. Um mentor com domínio real consegue olhar pro seu caso e dizer o que funciona pra você especificamente, não empurrar o que deu certo pra ele uma única vez.

Como avaliar a postura comportamental de um mentor antes de fechar?
Olhe se a pessoa faz perguntas sobre o seu caso antes de dar respostas prontas, se demonstra curiosidade genuína pelo seu negócio, e se provoca você a pensar melhor em vez de apenas responder o que você pergunta. Um balcão de atendimento não é mentoria.

Qual é o problema de contratar um mentor que só ensina lifestyle?
O método lifestyle, fotos viajando, rosto e corpo à mostra, funciona para um perfil específico de pessoa. Se você não tem esse perfil, vai gastar energia e dinheiro num caminho incompatível com quem você é, e o mentor raramente vai ter coragem ou interesse de te dizer isso.

Posso pedir reembolso de uma mentoria que não entregou o combinado?
Depende do contrato e da plataforma. Mas se a primeira sessão foi fria e mecânica, o sinal é claro: a dinâmica não vai melhorar com o tempo, só vai piorar conforme a novidade passa. Se conseguir o reembolso, corra. Se não conseguir, pelo menos não renove.

Will Binder
Will Binder

Estrategista de conteúdo e copywriter. Ajudo quem vende conhecimento online a transformar conteúdo em leads, vendas e fãs. Todo dia envio um email com uma ideia nova — às vezes começa com Eminem, sempre termina com você querendo o próximo.

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