O método que funcionava ontem não funciona mais hoje
Se você tá no marketing digital desde 2020, já viu esse filme: alguém lança um método novo, todo mundo segue, funciona por um tempo — e depois para de funcionar.
Só que agora a coisa tá diferente. Não é só um método que saturou. É o modelo inteiro de seguir fórmulas prontas que entrou em colapso.
Eu cheguei nessa conclusão depois de meses de trabalho próximo com membros da minha comunidade conteudo.org, além de uma série de projetos e consultorias nos últimos anos. E quero compartilhar essa leitura com você porque, se você tá com dificuldade de ver o seu negócio ganhar tração — clientes chegando, audiência crescendo, as coisas acontecendo — esse raciocínio pode clarear muita coisa.
O ciclo natural de morte das táticas
Vamos começar pelo básico. O marketing digital sempre girou em torno de técnicas, táticas e métodos. E toda tática tem um ciclo de vida natural:
- Alguém descobre algo que funciona
- Ensina pra outras pessoas
- Muita gente começa a executar
- O mercado fica anestesiado daquele estímulo
- A tática perde eficácia
Isso sempre existiu. Quando você vê mais um evento online de uma semana, “100% gratuito, 100% ao vivo”, você já sabe exatamente o que vai acontecer. O cara que se dispõe a fazer isso agora precisa colocar fogos de artifício no negócio pra chamar atenção.
Esse ciclo é natural. O problema é que nos últimos 2-3 anos ele acelerou brutalmente.
Por que o mercado ficou tão mais difícil
A resposta curta: o próprio marketing digital matou suas próprias fórmulas.
Duas forças criaram uma tempestade perfeita contra quem tá tentando crescer:
A oferta explodiu
Com a pandemia em 2020, uma avalanche de pessoas entrou no digital. Gente que dependia do offline passou a olhar pro online. Outros descobriram o mercado pela primeira vez. E todos começaram a aplicar as mesmas fórmulas — Fórmula de Lançamento, método do Ladeira, do Ícaro, de cada guru do momento.
A quantidade de pessoas produzindo conteúdo e vendendo cursos cresceu de forma absurda. A oferta cresceu muito mais do que a demanda.
A demanda encolheu
Do outro lado, as pessoas não estão com tanto dinheiro disponível. As questões macroeconômicas do Brasil pesam. O cara que antes comprava curso atrás de curso agora pensa duas vezes antes de passar o cartão.
E aqui tem um detalhe que pouca gente fala: a concorrência não é só direta. Mesmo que ninguém venda exatamente o que você vende, o dinheiro do seu cliente é finito. Se ele gastou no curso do outro cara, ele não vai gastar no seu — mesmo que sejam propostas completamente diferentes.
Resultado: mais gente ofertando, menos gente comprando. Se você tá começando agora, sem nome no mercado, sem audiência, sem marca estabelecida — esse é o cenário que você tá enfrentando.
O problema oculto dos métodos: a execução incompleta
Tem um detalhe que quase ninguém comenta. Eu arrisco dizer com bastante segurança que mais de 90% das pessoas que aprendem um método nunca o executam na plenitude.
Funciona assim: você compra o curso, começa a seguir a cartilha, encontra uma parte difícil demais ou que não se encaixa na sua realidade, faz uma gambiarra “à brasileira” e segue em frente.
E sabe o que é mais louco? No passado, isso funcionava. Mesmo executando 60-70% do método, você conseguia um bom resultado. O mercado não era tão maduro, tinha menos concorrência, e a demanda tava pulsante.
As pessoas com resultados excepcionais eram as que melhor seguiam a cartilha. Mas mesmo quem fazia nas coxas conseguia um resultado razoável.
Agora não. O método por si só, mesmo executado na plenitude, já perdeu poder de fogo. Imagina executando na meia bomba. O resultado é pífio.
Todo método tem a cara do criador
Aqui entra um ponto que eu nunca vi ninguém levantar.
Cada método carrega as características, a personalidade e as habilidades do seu criador. E isso tem consequências enormes pra quem tenta seguir.
Pega o Pedro Sobral, por exemplo. O cara é extrovertido, comunicativo, expansivo. O “método” dele de lives semanais funciona brilhantemente — pra ele. Ele soube colocar suas forças a favor do próprio negócio.
Mas como que você vai falar pra uma pessoa tímida, introvertida, que nunca gravou um vídeo, seguir o método do Pedro Sobral? É evidente que vai ser muito mais difícil.
A mesma coisa vale pro Fórmula de Lançamento. O lançamento é todo pautado em prazos e datas rígidas. Se você não trabalha bem com prazos — se isso te gera ansiedade e desconforto — o Fórmula pode não ser pra você.
Isso serve pra qualquer guru: o método deles dá certo pra eles e pra um grupo de pessoas com características similares. Não é universal.
O desbalanço que mata a constância
No passado, mesmo usando um método que não era a sua cara, o resultado compensava o esforço. Você engolia os sapos, fazia um lançamento sofrido, mas saía com um resultado que colocava dinheiro na mesa.
Agora o cálculo mudou. Você se esforça o triplo, faz coisas que são desconfortáveis, vai contra sua natureza — e o resultado é muito pior.
Esse desequilíbrio entre esforço e resultado ataca o ponto mais importante de qualquer negócio: a constância. Se o esforço é gigante e o retorno é mínimo, sua motivação vai sendo minada aos poucos. Sem constância, não tem crescimento.
A única saída: estratégia personalizada
Depois de tudo isso, a conclusão é simples. A saída é fazer do seu jeito.
Não estou falando de inventar tudo do zero. Estou falando de usar os princípios — que são imutáveis — e construir uma estratégia sob medida pra sua realidade.
Em vez de moldar seu comportamento pra se encaixar na fórmula de um guru, você faz o contrário:
- Observa as muitas técnicas e táticas disponíveis
- Identifica quais se adequam às suas qualidades, habilidades e circunstâncias
- Monta uma estratégia que funcione pra alguém como você
Uma coisa é comprar um terninho na Zara. Outra é ter um terno sob medida, onde um alfaiate mediu seu corpo, sua envergadura, e fez algo que veste perfeitamente em você.
Correr uma maratona com um tênis dois números menor é tortura. E é exatamente isso que muita gente faz no marketing digital: tenta correr usando o método de outra pessoa que simplesmente não se encaixa.
Por que a IA não resolve (ainda)
Talvez você pense: “Beleza, Will. Vou pedir pro ChatGPT criar minha estratégia personalizada.”
Tem um problema com isso. A inteligência artificial hoje é excelente pra criar resultados medíocres. Só que se você não é da área, o resultado medíocre parece brilhante.
Funciona assim: quando a IA te dá uma estratégia de marketing, aquilo nunca passou pela sua cabeça — porque você não é especialista no assunto. Você fica impressionado. Mas quando um profissional da área vê aquela mesma resposta, ele fala: “Tá razoável, mas pode ser muito melhor.”
É igual quando você pede um plano de treino pro ChatGPT. Você olha e pensa que não precisa mais de personal trainer. Mas o personal trainer olha aquilo e vê uma porção de ajustes que fariam diferença real.
O viés que você não percebe
Além da qualidade medíocre, tem outro problema mais grave: o viés de quem dá o contexto.
Quando você descreve sua situação pra IA, você tá assumindo que aquele é o contexto ideal. Mas você tá próximo demais do objeto — que é a sua própria vida. Não consegue se distanciar.
Não te ocorre mencionar que só tem uma hora por dia disponível. Ou que seu orçamento é zero pra anúncios. Ou que você detesta aparecer em vídeo. São coisas que um mentor pega numa conversa de 10 minutos — pela sua expressão, pela linguagem corporal, pelo que você fala e pelo que você não fala.
A IA vai te dar uma resposta bonita baseada no contexto incompleto que você forneceu. Um mentor capacitado vai ler o cenário completo e te dizer não só o que fazer, mas — e isso é mais importante — o que não fazer de jeito nenhum.
Saber o que ignorar vale mais do que saber o que fazer
Esse é um ponto que eu vejo na reação dos meus mentorados toda semana. Quando alguém sai de uma sessão de mentoria, o maior alívio não é ter um plano de ação. É ter permissão pra ignorar um monte de coisa.
Quais táticas você pode abandonar. Quais plataformas você não precisa estar. Quais estratégias você pode adiar sem culpa.
Isso tira um peso que é inacreditável. Porque o criador de conteúdo médio tá sobrecarregado não pelo que faz, mas por tudo que acha que deveria estar fazendo.
O caminho pra 2025 (e além)
Resumindo tudo numa frase: as fórmulas genéricas morreram. O que funciona agora é estratégia personalizada baseada em princípios.
Se você tá tentando crescer no digital seguindo a cartilha de alguém que tem uma personalidade completamente diferente da sua, com recursos diferentes, com habilidades diferentes — você tá correndo a maratona com o tênis errado. Pode até chegar no fim, mas vai sofrer muito mais do que precisa.
A boa notícia é que os princípios continuam funcionando. Vendas, marketing, geração de audiência — tudo isso tem fundamentos que são imutáveis. O que muda é como você aplica na sua realidade específica.
Então antes de comprar o próximo curso ou seguir o próximo guru, se pergunte: isso é feito pra alguém como eu? Se a resposta for “não sei” — provavelmente não é.
