Ter um mentor é uma das melhores decisões que você pode tomar pra crescer mais rápido, economizar dinheiro e evitar erros no caminho.
O problema? A maioria das pessoas que buscam mentoria não sabem fazer perguntas — e por isso não conseguem extrair o verdadeiro valor dessa relação.
Separei 7 perguntas que vieram de reflexões, aprendizados e, principalmente, da minha experiência mentorando dezenas de pessoas e sendo mentorado por outros. Se você tem (ou pretende ter) um mentor, essas perguntas mudam o jogo.
1. O que a maioria das pessoas acha importante que eu posso ignorar completamente?
Essa é uma das minhas favoritas.
Quando você tá começando alguma coisa — ou tentando resolver um problema — tudo parece importante. Essa é, inclusive, a razão da loucura que toma conta do mercado digital hoje. As pessoas veem uma série de táticas e estratégias diferentes, ficam com aquele emaranhado de coisas na cabeça achando que precisam aplicar tudo. Resultado: confusão.
O mais importante é se concentrar nas coisas que realmente fazem a diferença dentro do seu contexto.
Quando você pergunta pro seu mentor o que deve ignorar, você ganha foco. Em vez de desperdiçar esforço em dezenas de direções, descobre o que evitar.
Como eu gosto de dizer nas reuniões individuais que tenho com meus mentorados: muitas vezes é mais importante saber o que não fazer do que saber o que fazer. O que você deve ignorar a todo custo pode ser tão valioso quanto o que deve fazer a todo custo.
2. O que é importante na sua rotina diária que você gostaria de ter começado antes?
Pessoas que já estão mais na frente de você na jornada — que é o caso do mentor, caso contrário você não teria contratado ele — já têm ações e hábitos bem cravados na rotina que correspondem à maior parte dos resultados que trazem.
O que a gente quer com essa pergunta é descobrir quais são essas ações.
O que o seu mentor faz que permitiu que ele atingisse o máximo de resultado? Se houver abertura, vá além da parte profissional — pergunte no âmbito pessoal também.
A ideia é descobrir essas ações e passar a incorporá-las no seu dia. E aí mantê-las por anos.
3. Onde você encontrou os seus melhores contatos e relacionamentos?
A verdade é que a gente ganha muito tendo bons contatos, bons colegas, bons amigos no nosso nicho. Só que não é tão trivial assim o local onde a gente encontra essas pessoas.
- Será que é dentro de grupos de mentoria?
- Comunidades online?
- Eventos presenciais?
- Outro modo completamente diferente?
O ponto é fazer o mentor revelar a fonte de um dos seus maiores ativos: seus relacionamentos.
Se você tá contratando um bom mentor, muito provavelmente ele é bem relacionado com o mercado. Então tire dele de onde vieram esses contatos.
Essa não é uma pergunta que os mentores estão preparados pra responder — ele pode precisar de um tempo. Mas vale muito extrair a resposta.
4. O que você fez de diferente dos seus concorrentes há 5 anos que, apesar de parecer erro na época, te beneficiou no longo prazo?
Essa é uma pergunta muito legal de se fazer.
Trazer esse frame de “5 anos” (ou 3, ou 2 — depende do contexto do mentor) é estratégico porque ajuda ele a buscar a resposta dentro de uma janela de tempo específica. Fica mais fácil responder.
A verdade é simples: se a gente faz a mesma coisa que todo mundo tá fazendo, pode esperar alcançar o mesmo resultado que todo mundo alcança. E na maioria das vezes, isso é a mediocridade.
Quando você joga a pergunta pro início da carreira dele, aciona uma parte do cérebro que faz ele lembrar de algo que fez muita diferença pra tirar o negócio do chão — mas que talvez ele tenha parado de fazer porque o estágio evoluiu.
Você olha pro negócio do mentor hoje e não consegue modelar isso. Porque ele parou de fazer. Essa pergunta resgata o ouro escondido.
5. Quais desafios provavelmente encontrarei pela frente?
Pergunta simples e direta. O que a gente quer é antecipar as principais dificuldades.
Numa verdadeira mentoria, o mentor já sabe do seu contexto — seu projeto, seus objetivos, suas dificuldades. Então ele tem condição de antecipar os obstáculos.
Mas nem todos os mentores fazem isso proativamente. Cabe a você perguntar:
“Diante do meu contexto, quais são os desafios que provavelmente vou ter pela frente?”
É um jogo muito limpo. Você quer a verdade escancarada na sua frente. Haverá dificuldades — é melhor saber de antemão quais são pra conseguir se preparar, resistir quando aparecerem e superá-las.
6. Quais crenças antigas você precisou abandonar para evoluir?
Grande parte da nossa estagnação ou fracasso nos negócios vem de crenças instaladas na cabeça que nos impedem de subir de nível.
As crenças que nos trouxeram até determinado ponto geralmente não são as mesmas que vão nos levar pro próximo nível.
Quando você faz essa pergunta, começa a identificar o modelo mental do seu mentor — como ele pensava antes, o que precisou deixar de lado pra chegar onde chegou.
O progresso de qualquer negócio se resume a dois pontos:
- Identificar um gargalo no seu processo
- Remover esse gargalo
Na maioria das vezes, o gargalo é comportamental. É de crenças. Então o que a gente quer é desaprender pra destravar.
7. Que lição importante você ignorou no início e teve que aprender na força depois?
Aqui o que a gente quer é identificar qual daqueles clichês do mercado é realmente importante.
Sabe aquela sabedoria popular, aquela coisa que todo mundo fala mas a gente acaba deixando de lado? Tipo: todo mundo sabe que criar conteúdo é importante pra sustentar sua marca no médio-longo prazo. Mas muita gente ignora isso e segue por outro caminho.
Quando o mentor responde essa pergunta, ele revela os pontos cegos que ele mesmo teve. E quanto mais rápido você descobrir seus pontos cegos, mais rápido pode melhorar.
No início, a gente nem sabe o que não sabe. Essa pergunta acelera essa descoberta.
Como usar essas perguntas na prática
Não precisa fazer todas de uma vez. Escolha 2 ou 3 por sessão e vá fundo. Leve as perguntas prontas, dê contexto sobre sua situação e deixe espaço pro mentor expandir.
E se quiser ir além: use essas 7 como base e peça pra uma IA desdobrar variações específicas pro seu nicho. A estrutura funciona — o que muda é o contexto.
O que separa quem aproveita mentoria de quem desperdiça é simples: a qualidade das perguntas que você faz.
Perguntas frequentes
Quantas perguntas devo fazer por sessão de mentoria?
Não existe número mágico, mas o ideal é priorizar 2-3 perguntas por sessão. Melhor ir fundo em poucas do que superficial em muitas. Leve as perguntas prontas e deixe espaço pro mentor expandir.
Essas perguntas funcionam para qualquer tipo de mentor?
Sim. Seja mentoria de negócios, carreira ou marketing digital, as perguntas são universais porque atacam pontos cegos, crenças limitantes e experiência prática. Adapte o contexto, mas a estrutura serve pra qualquer nicho.
E se meu mentor não souber responder na hora?
Isso é ótimo sinal — significa que a pergunta é boa. Perguntas que pegam o mentor desprevenido forçam reflexão genuína. Dê tempo, peça pra ele pensar e voltar depois se precisar.
Posso usar IA para criar mais perguntas a partir dessas?
Com certeza. Use essas 7 como base e peça pra IA expandir com variações pro seu nicho específico. A IA é excelente pra desdobrar perguntas estratégicas a partir de um bom framework inicial.
Como sei se estou aproveitando bem minha mentoria?
Se depois de cada sessão você sai com pelo menos uma ação clara pra implementar, tá no caminho certo. Se sai só com informação mas sem direção, suas perguntas precisam melhorar.
Qual a diferença entre fazer perguntas genéricas e estratégicas?
Perguntas genéricas pedem informação que você acha no Google. Perguntas estratégicas pedem filtro, experiência e contexto que só aquele mentor tem. As 7 deste artigo são estratégicas porque extraem julgamento, não dados.
Devo dar contexto antes de fazer a pergunta ao mentor?
Sempre. Quanto mais contexto você dá sobre sua situação, mais personalizada será a resposta. Mentor sem contexto dá conselho genérico — mentor com contexto dá direção cirúrgica.
