Posicionamento no Instagram não é sobre ser bonzinho com todo mundo — é sobre escolher um lado e defendê-lo com tanta consistência que as pessoas passam a lembrar de você por isso.
A verdade que pouca gente fala: posicionamento é sobre escolher um lado, defender com unhas e dentes e fazer com que as pessoas sintam alguma coisa quando encontram sua comunicação. Você pode ter o melhor produto do mundo, o melhor conteúdo, a melhor oferta. Mas se ninguém lembra de você, nada disso importa. Apliquei esse princípio no meu próprio perfil e vi o crescimento orgânico acontecer de um jeito que muita gente descreve como “injusto”.
Vou te mostrar as 3 camadas pra construir um posicionamento tão forte que seus concorrentes vão achar que você tem alguma vantagem oculta.
A base de tudo: controvérsia com estratégia
Se você quer chamar atenção, se não quer passar despercebido, você tem na palma da mão a possibilidade de entrar em controvérsias.
E eu sei que ao ler isso você pode pensar: “Lá vem, vai me dizer pra entrar em polêmica por polêmica.”
Não é isso.
O ponto é simples: pra se posicionar, você não pode ter medinho de ir contra as ideias de outras pessoas. Se quer ter um posicionamento forte, claro, que é lembrado — você não pode se esquivar dos temas mais complexos do seu mercado.
Precisa dar a sua opinião. Caso contrário, sua comunicação vai ser morna. Aquela água com sal que ninguém se atrai, ninguém se repele. Ninguém sente nada.
E a última coisa que você quer é que as pessoas não sintam nada com o seu posicionamento.
Controvérsia pela controvérsia não interessa. Nós queremos que as pessoas se atraiam à nossa comunicação porque acreditam na mesma coisa que nós acreditamos. E, ao mesmo tempo, queremos repelir quem não concorda — não no sentido de gerar haters, mas de filtrar naturalmente.
Camada 1: O alvo
A primeira camada é escolher o alvo. Um inimigo. Algo ou alguém contra quem você vai se posicionar.
Imagina o mercado como um grande campo de futebol. Existem jogadores nesse campo — e jogadores não precisam ser necessariamente outras pessoas ou empresas. Podem ser:
- Dogmas — verdades intocáveis do mercado (“postar todo dia é o segredo do sucesso”, “Reels é melhor que carrossel”)
- Figuras endeusadas — gurus, empresas, livros de cabeceira do público
- Tabus morais sutis — trabalho duro, autenticidade, espiritualidade, dinheiro
Cada mercado tem suas vacas sagradas. E os grandes conhecedores de mercado são aqueles que conseguem captar quais são essas verdades intocáveis — e se posicionar contra elas.
Por que você precisa de um alvo
Se você entra no campo sem referência, o público não te reconhece como jogador. Vai achar que você é o gandula.
Seu posicionamento só acontece — sobretudo se você está começando, sem marca estabelecida, sem audiência — se você se posicionar contra algo ou alguém. Caso contrário, não haverá posicionamento. Ponto.
A lógica é simples: posicionamento é sempre relativo. Você existe no espaço mental do seu público em contraste com algo. Se não há contraste, não há posição.
O alvo certo tem defensores
Presta atenção nessa sutileza: um bom alvo é aquele que tem defensores ferrenhos. Pessoas com opinião forte sobre determinada coisa.
Por exemplo, em 2025, atacar “gurus” como posicionamento principal já não pega mais. Praticamente ninguém endeussa um guru hoje. Então se você basear tudo nisso, pode passar despercebido da mesma forma.
Seja esperto. Verifique se o alvo que você vai atingir realmente tem gente disposta a defendê-lo. Senão, sua polêmica morre antes de nascer.
Camada 2: A narrativa
Não basta atacar o alvo. É preciso moldar a narrativa pra que você não seja só mais um raivoso, mais um hater.
O público pode e deve discordar de você. Mas ele vai respeitar a forma como você apresenta seus argumentos. E essa é a chave.
Existem 3 arquétipos que você pode assumir pra defender sua posição:
O iconoclasta
Comunica que o que todo mundo repete está errado. É o cara que derruba os falsos deuses. Quase um iluminado — mas essa iluminação precisa ser pautada por clareza nos argumentos.
Você precisa observar as dinâmicas do mercado, perceber o que está errado e descrever essa percepção com precisão cirúrgica.
O confessor
Tem uma visão muito mais pessoal: “Eu já acreditei nisso. Já passei por isso. Já caí nessa mentira. Até que percebi a verdade.”
É um storytelling em primeira pessoa, descrevendo as coisas como aconteceram com você. Precisa ser pautado na verdade — senão você se enrola num monte de mentira.
O analista frio
Prova que está certo através de dados, fontes e lógica. Pega fatos concretos e demonstra o oposto do que todos defendem.
Esse posicionamento é riquíssimo, mas exige pesquisa. A boa notícia: hoje com IA você pode escrever sua tese e pedir pra pesquisar dados que a sustentem.
Mas atenção — se os dados não sustentam, não force. Talvez seu argumento funcione melhor como confessor ou iconoclasta.
Combine os arquétipos
Esses três não são excludentes. Você pode ser um iconoclasta que também confessa e traz dados. O importante é que sua narrativa sustente o ataque ao alvo com argumentos reais, não com grito e ofensa.
Camada 3: O fogo
O fogo é o combustível que transforma sua faísca em incêndio. É a frase de efeito que faz a pessoa guardar na memória o que você disse.
Sem fogo, seu posicionamento existe só na sua cabeça. Você pode ter o alvo certo, a narrativa perfeita — mas se não consegue sintetizar numa frase que gruda, vai ser esquecido. O fogo é o que circula. É o que as pessoas repetem pra outras pessoas.
Existem algumas formas de criar fogo:
- Comparações absurdas — “Seguir esse conselho é como tomar veneno em microdoses e chamar de vitamina.” Baseadas na sua lógica, mas formuladas de um jeito que gruda na cabeça
- Generalizações provocativas — “Todo guru de marketing mente sobre faturamento.” Sintetiza sua ideia numa declaração forte
- Perguntas que ferem — “Será que você realmente trabalha ou só finge estar ocupado?” Cutuca onde dói
Essas ideias precisam ter essa pimenta. Essa picância. Caso contrário, vai passar despercebido.
Como diz o trecho famoso da Bíblia: frio ou quente, morno não. Se você é morno no seu posicionamento, ninguém vai se sentir tocado.
Como aplicar no Instagram na prática
Uma vez que você definiu alvo, narrativa e fogo, como trazer isso pro Instagram?
Crie um carrossel-manifesto
A primeira coisa que eu faria: criar um carrossel e fixar no perfil. Ele fica no feed, bonito, no seu estilo. Todas as pessoas que chegam no seu perfil passam a saber qual é o seu posicionamento.
Você deixa de ser um mero gerador de lero lero. Você tem opiniões. E isso é o que as pessoas lembram.
Estrutura do carrossel (ou sequência de stories)
Opção 1 — Começar com fogo:
- Slide 1 — Frase de efeito (fogo). Já declara a conclusão. Chama atenção imediata
- Slides 2-3 — Apresenta o alvo. Contra o que você está se posicionando
- Slides 4-8 — Narrativa. Sustenta o que você disse com argumentos
- Slides 8-9 — Fogo de novo. Reforça a síntese do início
- Último slide — CTA
Opção 2 — Sequência clássica:
- Alvo — Apresenta contra o que você se posiciona
- Narrativa — Desenvolve os argumentos
- Fogo — Finaliza com a frase de efeito
A opção 1 é mais forte porque hoje a atenção das pessoas tá muito fragmentada. Começar com fogo fisga logo de cara.
Repetição é branding
Um dos critérios básicos do branding é repetição. Escolha poucos alvos — ou mesmo um único — e fique atacando consistentemente. É nessa repetição que sua marca se constrói e as pessoas passam a lembrar de você.
Use o carrossel fixo, stories, bio. Tudo alinhado na mesma direção.
O resumo em 30 segundos
Posicionamento é sobre se opor a algo ou alguém no mercado — e defender essa oposição com uma narrativa sólida.
- Alvo — escolha uma vaca sagrada que tenha defensores
- Narrativa — sustente com lógica, experiência pessoal ou dados
- Fogo — sintetize numa frase de efeito que ninguém esquece
Faça isso de forma consistente e sua marca vai ser impossível de ignorar. As pessoas podem discordar de você — mas nunca vão esquecer.
Perguntas frequentes
O que é posicionamento no Instagram?
Posicionamento no Instagram é a forma como você se distingue da concorrência ao defender uma opinião clara sobre algo do seu mercado. Não é sobre ser o mais bonito ou postar mais vezes — é sobre ter um ponto de vista que as pessoas lembram e associam a você.
Como criar um posicionamento forte nas redes sociais?
Um posicionamento forte começa com a escolha de um alvo: um dogma, figura ou crença do mercado contra a qual você vai se opor. Em seguida, você constrói uma narrativa sólida (como iconoclasta, confessor ou analista) e sintetiza tudo numa frase de efeito que fica na cabeça. Sem um dos três, o posicionamento fica fraco.
Preciso entrar em polêmica pra ter um bom posicionamento?
Não é polêmica pela polêmica. O ponto é que você não pode fugir dos temas complexos do seu mercado — precisa dar sua opinião. Comunicação morna não atrai e não repele, e o pior resultado possível é que as pessoas não sintam nada com o seu conteúdo.
O que é o “alvo” no posicionamento de marca?
O alvo é aquilo contra o qual você se posiciona: pode ser um dogma do mercado, uma figura endeusada ou um tabu moral. O truque é escolher um alvo que realmente tenha defensores ferrenhos — senão a sua controvérsia morre antes de nascer e ninguém percebe.
Quais são os arquétipos de narrativa para posicionamento?
Os três arquétipos são: o iconoclasta (derruba verdades aceitas com argumentos precisos), o confessor (fala em primeira pessoa sobre o que viveu e aprendeu) e o analista frio (sustenta a posição com dados e lógica). Você pode combinar os três — o importante é que sua narrativa sustente o ataque ao alvo com argumentos reais.
O que é “fogo” no contexto de posicionamento?
Fogo é a frase de efeito que grava sua ideia na cabeça das pessoas. Pode ser uma comparação absurda, uma generalização provocativa ou uma pergunta que cutuca onde dói. Sem fogo, sua mensagem passa despercebida mesmo sendo correta.
Como usar o posicionamento num carrossel do Instagram?
O jeito mais eficiente é criar um carrossel-manifesto e fixar no perfil. A estrutura ideal começa com o fogo (a frase de efeito), depois apresenta o alvo, desenvolve a narrativa nos slides do meio e termina com um CTA. Começar com fogo funciona melhor porque hoje a atenção das pessoas é muito fragmentada.
Com que frequência devo repetir meu posicionamento?
Repetição é o critério básico do branding. Escolha poucos alvos — ou um único — e fique atacando consistentemente ao longo do tempo. Use carrossel fixo, stories e bio todos alinhados na mesma direção. É na repetição que sua marca se constrói e as pessoas passam a lembrar de você.
