Nunca tivemos tanto conhecimento gratuito ao alcance dos dedos. E nunca foi tão difícil saber o que fazer com ele.
Isso é uma benção e uma maldição ao mesmo tempo. Se você tá determinado a conquistar o seu espaço no digital, tá tudo à disposição — basta procurar as fontes certas, estudar e aplicar. O banquete de oportunidades existe. Mas o excesso de vozes pode transformar a sua jornada até o topo num verdadeiro labirinto mental onde você fica preso nos seus próprios pensamentos e não consegue avançar de jeito nenhum.
Pensa comigo: Fulano jura que o melhor caminho é pela direita. Beltrano aposta a vida que é pela esquerda. Um aponta pro Oeste, o outro pro Leste. Cada um tem o seu método, o seu framework, o seu sistema. Todos parecem ter argumentos sólidos, um discurso amarradinho que faz todo sentido.
E o que acontece? Você fica paralisado na encruzilhada.
O mercado ficou sofisticado (e isso explica tudo)
Pra entender por que o marketing digital virou essa salada mista, a gente precisa olhar pra um conceito que Eugene Schwartz descreveu lá no meados do século passado: os níveis de sofisticação do mercado.
A ideia é simples. Todo mercado passa por estágios, e em cada estágio o ceticismo do público aumenta:
- Nível 1 — Nascimento: qualquer declaração é crível. O mercado é novo, pouca gente fala sobre aquilo, e o público aceita as promessas sem questionar muito.
- Nível 2 — Promessas maiores: mais competição entra porque o mercado se mostrou lucrativo. Os concorrentes começam a fazer declarações cada vez mais exageradas — um diz que resolve em 30 dias, o outro diz que resolve em 15.
- Nível 3 — Mecanismo único: o público já não engole qualquer promessa. Os criadores introduzem um mecanismo — um método, um sistema, uma fórmula — que oferece uma razão lógica para acreditar.
- Nível 4 — Guerra de mecanismos: todo mundo tem um mecanismo. A disputa vira método contra método. Fulano diz que o caminho é pelo Leste, Cicrano diz que é pelo Oeste.
- Nível 5 — Saturação total: nenhum mecanismo importa mais. O público não acredita em mais nada. A ênfase precisa sair da promessa e ir pra identificação.
Com a pandemia, a gente avançou mais rápido nessa linha. O marketing digital brasileiro — especialmente o submercado de estratégias e soluções de marketing — está entre o nível 4 e o 5.
E o problema é que muita gente ainda usa táticas de nível 3 num mercado de nível 5.
O conceito de mecanismo único (e por que ele não basta mais)
O mecanismo único é basicamente a coisa que faz o seu produto ou serviço entregar o que ele promete. Todd Brown define assim de forma direta: é o artifício, a fórmula, o método, os passos que sustentam a promessa da sua oferta.
Stephan Georgi vai além e divide em dois: mecanismo do problema (por que o cliente ainda não resolveu aquilo) e mecanismo da solução (como seu produto resolve de forma diferente). É útil tanto pra comunicar diferenciais quanto pra se organizar como copywriter.
O lance é que quando todo mundo tem um mecanismo, ninguém tem um diferencial. Vira uma guerra de métodos onde o público — com razão — não acredita em mais nada.
O que isso significa pra quem consome conteúdo
Essa avalanche de informações é especialmente cruel com iniciantes e intermediários. Se você não tem um filtro apurado, fica impossível navegar nesse oceano de bons conselhos e ir direto pro seu objetivo.
Eu vejo isso acontecer na minha mentoria individual. As pessoas sofrem com isso. Eu mesmo sofri com isso lá atrás, mas felizmente consegui perceber a armadilha a tempo.
A solução como consumidor é ridiculamente simples e não vai te custar nada:
Pare de seguir 90% dos criadores de conteúdo sobre marketing digital que você acompanha.
Escolha um. Se for o caso, dois ou três no máximo — preferencialmente de especialidades diferentes. Quanto mais vozes conflitantes na sua cabeça, mais paralisado você fica.
Chega um ponto que se você lê, estuda e consome muito de muitas fontes, vira uma maluquice. Você não consegue organizar cada coisa na caixinha certa, não consegue priorizar, não consegue dar contexto pra tudo que estão te dizendo.
O que isso significa pra quem produz conteúdo
Agora vem o outro lado da moeda. Se o mercado está saturado de mecanismos e o público está cético, qual é a saída pra quem produz?
Publicar conteúdo todos os dias.
Parece simples demais pra funcionar, mas eu experimentei na pele. Quando comecei a levar a sério a minha marca pessoal no Instagram, lá em março de 2020, eu produzia numa frequência altíssima. Era vídeo, era carrossel, era live com convidados. Se você rolar meu feed, vai ver — a frequência era muito mais alta do que é hoje, porque eu precisava me estabelecer no mercado.
Foram praticamente 5 meses ininterruptos de produção diária. Fiz três ou quatro lançamentos do meu curso de marketing de conteúdo. E num único dia, abri as inscrições e antes de 12 horas bati seis dígitos.
O principal elemento disso? Ter produzido consistentemente durante todos os meses que antecederam o lançamento.
A estratégia que faz todas as outras funcionarem
De todas as táticas, de todos os métodos, de tudo que está disponível na internet — uma é unânime: a produção de conteúdo constante por um longo período de tempo.
E não é só “funciona”. É que ela potencializa tudo o mais:
- Se você cria conteúdo todo dia, seus lançamentos performam melhor
- Se você cria conteúdo todo dia, seu perpétuo vende mais
- Se você cria conteúdo todo dia, sua mentoria atrai mais clientes
- Se você cria conteúdo todo dia, você tem mais agendamentos de sessão estratégica
- Se você cria conteúdo todo dia, até o tráfego pago funciona melhor — porque a audiência manda sinais pro algoritmo, que encontra público frio mais qualificado pra suas ofertas
É a estratégia que faz todas as outras funcionarem melhor.
E presta atenção numa coisa: mesmo as pessoas que dizem que “não precisa criar conteúdo” — olhe pro que elas fazem. Ou pro que fizeram. Porque muitas passaram anos criando conteúdo como loucas pra chegar num ponto e mudar de ideia, querendo introduzir um novo mecanismo. Mas o cara passou os últimos 5 anos produzindo igual um doido.
O diferente é melhor do que o melhor
Num mercado nível 5, onde todo mundo tem método e ninguém acredita em método, o que funciona é identificação.
Eu percebi isso antes da pandemia, quando comecei a criar conteúdo profissionalmente. Eu estava no nicho do marketing de conteúdo — que dá pra dizer que é o nicho na vanguarda do branding. Se você se propõe a falar sobre marketing de conteúdo, tem que fazer isso de forma muito boa.
E aí vem a máxima: é preferível ser diferente do que ser melhor. Em termos de sofisticação de mercado, de persuasão, de mecanismo único — ser diferente ganha de ser melhor.
A forma como você se comunica, o tom que usa, as histórias que conta, a maneira como conecta as ideias — isso é o que te diferencia num mercado onde todo mundo promete a mesma coisa.
Marca pessoal é um ativo vitalício
Uma coisa que marcou minha vida foi perceber que o meu nome vai existir enquanto eu estiver vivo. E se eu fizer um bom trabalho, talvez dure um pouco mais.
Então, se você tem uma marca pessoal, por mais difícil que seja criar conteúdo, cara — é um ativo que vai estar com você pro resto da vida.
Mesmo que daqui a 10 anos você decida que não quer mais empreender e volte pro CLT, vai ser muito mais fácil conseguir emprego. Criar conteúdo na internet é o melhor seguro-desemprego que existe. Você não fica desempregado se cria conteúdo.
O único jeito de dar errado
De todo esse mar de confusão que é o marketing digital, a verdade nua e crua é essa: como produtor, publique conteúdo todos os dias. Não tem como dar errado.
A única — literalmente a única — forma de isso dar errado é você desistir no meio do caminho.
E quando você se concentra em publicar todos os dias, acontece algo interessante: você passa a ser muito mais criterioso no conteúdo que consome. Porque vai ter menos tempo, vai começar a ter um olhar mais afiado sobre quem está fazendo um bom trabalho e quem não está.
A produção te protege do consumo excessivo. E o consumo criterioso melhora a produção. É um ciclo virtuoso.
Perguntas frequentes
O que são os níveis de sofisticação do mercado?
É um conceito do copywriter Eugene Schwartz que descreve como o ceticismo do público aumenta à medida que mais concorrentes entram num mercado e fazem promessas cada vez maiores. São 5 estágios, do nascimento do mercado até a saturação total de mecanismos.
Em qual nível de sofisticação está o marketing digital hoje?
O mercado de marketing digital brasileiro está entre os níveis 4 e 5. Isso significa que o público já viu tantos métodos, fórmulas e promessas que está altamente cético. Estratégias de nível 3 (mecanismo único) já não se destacam como antes.
O que é mecanismo único no marketing?
Mecanismo único é o método, sistema ou fórmula que faz o seu produto entregar o que promete. É o que diferencia sua oferta das demais. O conceito foi popularizado por Todd Brown e Stephan Georgi, e se divide em mecanismo do problema e mecanismo da solução.
Por que seguir muitos criadores de conteúdo sobre marketing pode ser prejudicial?
Porque cada criador defende um caminho diferente — todos com argumentos sólidos. Essa avalanche de conselhos conflitantes paralisa você na encruzilhada, especialmente se você é iniciante ou intermediário. O melhor é escolher no máximo 2 ou 3 referências.
Publicar conteúdo todo dia realmente funciona?
Sim. A produção constante de conteúdo é a única estratégia que potencializa todas as outras — lançamentos, perpétuo, mentoria, sessões estratégicas e até tráfego pago. Não existe cenário onde criar conteúdo consistentemente dê errado, desde que você não desista.
Como a criação de conteúdo melhora o tráfego pago?
Quando você cria conteúdo todo dia, gera audiência engajada. Essa audiência manda sinais para o algoritmo das plataformas, que usa esses dados para encontrar público frio mais qualificado para suas ofertas pagas. O orgânico alimenta o pago.
E se eu não tenho facilidade para criar conteúdo?
A dificuldade é real, mas não é desculpa para não publicar. Ferramentas de IA já permitem criar carrosséis completos em menos de 5 minutos. O importante é manter a consistência — o conteúdo melhora com a prática, não com a espera.
Marca pessoal vale a pena mesmo se eu quiser voltar ao CLT?
Totalmente. Seu nome é um ativo vitalício. Mesmo que você decida voltar ao CLT daqui a 10 anos, ter uma marca pessoal forte facilita conseguir emprego. Criar conteúdo na internet é o melhor seguro-desemprego que existe.
