A verdade nua e crua sobre o marketing digital (que ninguém quer ouvir)

O mercado ficou sofisticado, os métodos se multiplicaram e você ficou paralisado. Existe uma saída — e ela é mais simples do que parece.

Nunca tivemos tanto conhecimento gratuito ao alcance dos dedos. E nunca foi tão difícil saber o que fazer com ele.

Isso é uma benção e uma maldição ao mesmo tempo. Se você tá determinado a conquistar o seu espaço no digital, tá tudo à disposição — basta procurar as fontes certas, estudar e aplicar. O banquete de oportunidades existe. Mas o excesso de vozes pode transformar a sua jornada até o topo num verdadeiro labirinto mental onde você fica preso nos seus próprios pensamentos e não consegue avançar de jeito nenhum.

Pensa comigo: Fulano jura que o melhor caminho é pela direita. Beltrano aposta a vida que é pela esquerda. Um aponta pro Oeste, o outro pro Leste. Cada um tem o seu método, o seu framework, o seu sistema. Todos parecem ter argumentos sólidos, um discurso amarradinho que faz todo sentido.

E o que acontece? Você fica paralisado na encruzilhada.

O mercado ficou sofisticado (e isso explica tudo)

Pra entender por que o marketing digital virou essa salada mista, a gente precisa olhar pra um conceito que Eugene Schwartz descreveu lá no meados do século passado: os níveis de sofisticação do mercado.

A ideia é simples. Todo mercado passa por estágios, e em cada estágio o ceticismo do público aumenta:

Com a pandemia, a gente avançou mais rápido nessa linha. O marketing digital brasileiro — especialmente o submercado de estratégias e soluções de marketing — está entre o nível 4 e o 5.

E o problema é que muita gente ainda usa táticas de nível 3 num mercado de nível 5.

O conceito de mecanismo único (e por que ele não basta mais)

O mecanismo único é basicamente a coisa que faz o seu produto ou serviço entregar o que ele promete. Todd Brown define assim de forma direta: é o artifício, a fórmula, o método, os passos que sustentam a promessa da sua oferta.

Stephan Georgi vai além e divide em dois: mecanismo do problema (por que o cliente ainda não resolveu aquilo) e mecanismo da solução (como seu produto resolve de forma diferente). É útil tanto pra comunicar diferenciais quanto pra se organizar como copywriter.

O lance é que quando todo mundo tem um mecanismo, ninguém tem um diferencial. Vira uma guerra de métodos onde o público — com razão — não acredita em mais nada.

O que isso significa pra quem consome conteúdo

Essa avalanche de informações é especialmente cruel com iniciantes e intermediários. Se você não tem um filtro apurado, fica impossível navegar nesse oceano de bons conselhos e ir direto pro seu objetivo.

Eu vejo isso acontecer na minha mentoria individual. As pessoas sofrem com isso. Eu mesmo sofri com isso lá atrás, mas felizmente consegui perceber a armadilha a tempo.

A solução como consumidor é ridiculamente simples e não vai te custar nada:

Pare de seguir 90% dos criadores de conteúdo sobre marketing digital que você acompanha.

Escolha um. Se for o caso, dois ou três no máximo — preferencialmente de especialidades diferentes. Quanto mais vozes conflitantes na sua cabeça, mais paralisado você fica.

Chega um ponto que se você lê, estuda e consome muito de muitas fontes, vira uma maluquice. Você não consegue organizar cada coisa na caixinha certa, não consegue priorizar, não consegue dar contexto pra tudo que estão te dizendo.

O que isso significa pra quem produz conteúdo

Agora vem o outro lado da moeda. Se o mercado está saturado de mecanismos e o público está cético, qual é a saída pra quem produz?

Publicar conteúdo todos os dias.

Parece simples demais pra funcionar, mas eu experimentei na pele. Quando comecei a levar a sério a minha marca pessoal no Instagram, lá em março de 2020, eu produzia numa frequência altíssima. Era vídeo, era carrossel, era live com convidados. Se você rolar meu feed, vai ver — a frequência era muito mais alta do que é hoje, porque eu precisava me estabelecer no mercado.

Foram praticamente 5 meses ininterruptos de produção diária. Fiz três ou quatro lançamentos do meu curso de marketing de conteúdo. E num único dia, abri as inscrições e antes de 12 horas bati seis dígitos.

O principal elemento disso? Ter produzido consistentemente durante todos os meses que antecederam o lançamento.

A estratégia que faz todas as outras funcionarem

De todas as táticas, de todos os métodos, de tudo que está disponível na internet — uma é unânime: a produção de conteúdo constante por um longo período de tempo.

E não é só “funciona”. É que ela potencializa tudo o mais:

É a estratégia que faz todas as outras funcionarem melhor.

E presta atenção numa coisa: mesmo as pessoas que dizem que “não precisa criar conteúdo” — olhe pro que elas fazem. Ou pro que fizeram. Porque muitas passaram anos criando conteúdo como loucas pra chegar num ponto e mudar de ideia, querendo introduzir um novo mecanismo. Mas o cara passou os últimos 5 anos produzindo igual um doido.

O diferente é melhor do que o melhor

Num mercado nível 5, onde todo mundo tem método e ninguém acredita em método, o que funciona é identificação.

Eu percebi isso antes da pandemia, quando comecei a criar conteúdo profissionalmente. Eu estava no nicho do marketing de conteúdo — que dá pra dizer que é o nicho na vanguarda do branding. Se você se propõe a falar sobre marketing de conteúdo, tem que fazer isso de forma muito boa.

E aí vem a máxima: é preferível ser diferente do que ser melhor. Em termos de sofisticação de mercado, de persuasão, de mecanismo único — ser diferente ganha de ser melhor.

A forma como você se comunica, o tom que usa, as histórias que conta, a maneira como conecta as ideias — isso é o que te diferencia num mercado onde todo mundo promete a mesma coisa.

Marca pessoal é um ativo vitalício

Uma coisa que marcou minha vida foi perceber que o meu nome vai existir enquanto eu estiver vivo. E se eu fizer um bom trabalho, talvez dure um pouco mais.

Então, se você tem uma marca pessoal, por mais difícil que seja criar conteúdo, cara — é um ativo que vai estar com você pro resto da vida.

Mesmo que daqui a 10 anos você decida que não quer mais empreender e volte pro CLT, vai ser muito mais fácil conseguir emprego. Criar conteúdo na internet é o melhor seguro-desemprego que existe. Você não fica desempregado se cria conteúdo.

O único jeito de dar errado

De todo esse mar de confusão que é o marketing digital, a verdade nua e crua é essa: como produtor, publique conteúdo todos os dias. Não tem como dar errado.

A única — literalmente a única — forma de isso dar errado é você desistir no meio do caminho.

E quando você se concentra em publicar todos os dias, acontece algo interessante: você passa a ser muito mais criterioso no conteúdo que consome. Porque vai ter menos tempo, vai começar a ter um olhar mais afiado sobre quem está fazendo um bom trabalho e quem não está.

A produção te protege do consumo excessivo. E o consumo criterioso melhora a produção. É um ciclo virtuoso.

Perguntas frequentes

O que são os níveis de sofisticação do mercado?

É um conceito do copywriter Eugene Schwartz que descreve como o ceticismo do público aumenta à medida que mais concorrentes entram num mercado e fazem promessas cada vez maiores. São 5 estágios, do nascimento do mercado até a saturação total de mecanismos.

Em qual nível de sofisticação está o marketing digital hoje?

O mercado de marketing digital brasileiro está entre os níveis 4 e 5. Isso significa que o público já viu tantos métodos, fórmulas e promessas que está altamente cético. Estratégias de nível 3 (mecanismo único) já não se destacam como antes.

O que é mecanismo único no marketing?

Mecanismo único é o método, sistema ou fórmula que faz o seu produto entregar o que promete. É o que diferencia sua oferta das demais. O conceito foi popularizado por Todd Brown e Stephan Georgi, e se divide em mecanismo do problema e mecanismo da solução.

Por que seguir muitos criadores de conteúdo sobre marketing pode ser prejudicial?

Porque cada criador defende um caminho diferente — todos com argumentos sólidos. Essa avalanche de conselhos conflitantes paralisa você na encruzilhada, especialmente se você é iniciante ou intermediário. O melhor é escolher no máximo 2 ou 3 referências.

Publicar conteúdo todo dia realmente funciona?

Sim. A produção constante de conteúdo é a única estratégia que potencializa todas as outras — lançamentos, perpétuo, mentoria, sessões estratégicas e até tráfego pago. Não existe cenário onde criar conteúdo consistentemente dê errado, desde que você não desista.

Como a criação de conteúdo melhora o tráfego pago?

Quando você cria conteúdo todo dia, gera audiência engajada. Essa audiência manda sinais para o algoritmo das plataformas, que usa esses dados para encontrar público frio mais qualificado para suas ofertas pagas. O orgânico alimenta o pago.

E se eu não tenho facilidade para criar conteúdo?

A dificuldade é real, mas não é desculpa para não publicar. Ferramentas de IA já permitem criar carrosséis completos em menos de 5 minutos. O importante é manter a consistência — o conteúdo melhora com a prática, não com a espera.

Marca pessoal vale a pena mesmo se eu quiser voltar ao CLT?

Totalmente. Seu nome é um ativo vitalício. Mesmo que você decida voltar ao CLT daqui a 10 anos, ter uma marca pessoal forte facilita conseguir emprego. Criar conteúdo na internet é o melhor seguro-desemprego que existe.

Will Binder
Will Binder

Estrategista de conteúdo e copywriter. Ajudo quem vende conhecimento online a transformar conteúdo em leads, vendas e fãs. Todo dia envio um email com uma ideia nova — às vezes começa com Eminem, sempre termina com você querendo o próximo.

Receber emails diários →